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Cidade inclusiva ou excludente: o Calçadão de Londrina é acessível para quem é PcD?
07 Mar

Cidade inclusiva ou excludente: o Calçadão de Londrina é acessível para quem é PcD?

Imagine você estar passeando pelo centro de uma das maiores cidades do Paraná, ter interesse de consumir nas lojas, mas ser impedido de entrar ou ter que mobilizar diversas pessoas para ter acesso aos produtos. Este é o cotidiano de Ana Paula Tonon, de 30 anos, que é PcD (Pessoa com Deficiência) e agora busca expor situações como essa que, segundo ela, são invisibilizadas em Londrina.

 

Ela garante que o Calçadão, um dos maiores polos de compra e venda do município, não é acessível, seja pelo piso desregular ou pelas lojas, que têm degraus tão altos que tornam impossível uma cadeira de rodas transitar sem ajuda.

O Portal Bonde esteve com Tonon durante um de seus passeios pelo Calçadão na quinta-feira (27) e comprovou a dificuldade que ela enfrenta todos os dias. São raros os estabelecimentos que possuem rampas de acesso. Alguns têm degraus pequenos - que não são ideais, mas possibilitam precariamente o trânsito de quem está em uma cadeira de rodas. Neste caso, o problema mais grave aparece na atitude dos lojistas, que colocam mercadorias obstruindo justamente o único local por onde uma pessoa com deficiência física poderia entrar.

A reportagem questionou uma das lojas em que a jovem tentou visitar, mas foi informada que o posicionamento das mercadorias é estratégico, mas que poderiam ser mudadas de local para possibilitar a entrada de PcDs. Entretanto, após Tonon deixar o espaço, os objetos voltaram a ser realocados no mesmo lugar, atitude que deixou a jovem revoltada.

"É o mínimo você estar aberto a receber toda a sociedade. Eu comparo [essas atitudes] a épocas segregacionistas, como o Apartheid, quando negros não podiam entrar em certos lugares. Então, sinto como se tivesse uma placa escrita: 'aqui não entra cadeirante'. Não tem placa, mas é isso que está dizendo. É uma segregação", desabafa Tonon.

 

Ela ressalta que muitas pessoas com deficiência não saem de casa por causa de situações constrangedoras e pela "falta de bom senso". Quando quer comprar roupas, por exemplo, sempre precisa de amparo e ajuda em momentos que deveriam ser simples e íntimos.

 

"Eu fico bem nervosa, frustrada e constrangida, porque essa Scooter [cadeira de rodas motorizada] é pesada e uma cadeira manual com a pessoa em cima também é pesada. Não é todo mundo que consegue ajudar. Costumo falar que vira um evento, mas, se estou sozinha, tenho que contar com a ajuda das pessoas."

 

'Faz parte do meu corpo'

 

A jovem reitera que não recusa ajuda, mas destaca que poucos sabem abordar uma pessoa com deficiência. Para ela, a cadeira de rodas faz parte do seu corpo e não deve ser tocada sem consentimento.

 

"As pessoas não sabem abordar. Às vezes, não estou precisando de nada e eles vêm empurrando a Scooter. Você não tem noção de como são inconvenientes. Tenho amigos cadeirantes que estão parados, mexendo no celular, e as pessoas vão empurrar. É uma extensão do nosso corpo isso aqui, você não sai tocando nas pessoas", elucida.

 

Tonon salienta que a cadeira de rodas ainda é vista pela sociedade como uma prisão, mas, para quem tem deficiência física, o objeto é a própria liberdade. "Ela é vista por muitos como um fardo, uma prisão em que a pessoa está condenada àquilo. É vista com maus-olhos. Só que, se não fosse uma cadeira de rodas, aí sim a gente estaria preso. Ela é a nossa liberdade."

 

A jovem destaca que até 2021 se locomovia sem precisar de cadeira de rodas, mas após quatro cirurgias no quadril a mobilidade foi prejudicada. Os procedimentos foram resultado dos esforços médicos para amenizar o impacto da Artrogripose Múltipla Congênita, uma síndrome rara que causa malformações articulares e enrijecimento das articulações. As dores fizeram Tonon abrir mão do sonho de se formar no ensino superior.

 

"Não dei conta. Fisicamente ficou muito puxado para mim. Eu chegava às 8h da manhã e tinha dia que saía 9h da noite, e eu morrendo de dor. Não tem como estudar. Ficou inviável para mim, porque ou você se dedica à reabilitação ou à faculdade."

 

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